16 setembro, 2010

Audiência de conciliação entre a Gol e seus funcionários termina sem acordo

SÃO PAULO - Terminou mais uma vez sem acordo a audiência de conciliação entre a Gol e os representantes dos sindicatos dos aeroviários e aeronautas, realizada nesta quarta-feira no Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo. O impasse em torno do excesso de horas nas escalas, no caso dos funcionários aeronautas, e das jornadas de trabalho dobradas dos aeroviários, que levaram ao colapso das operações da companhia no final de julho persistem.

A procuradora regional do trabalho, Laura Martins de Andrade, que conduziu a audiência, estabeleceu novo prazo de dez dias para que empresa e funcionários continuem discutindo e formalizem um acordo a respeito dessas questões. A procuradora ameaçou encaminhar o processo para outras instâncias do Ministério Público caso a empresa aérea não se empenhe na formalização de um acordo com seus funcionários.

- Se não houver um acordo, será dado um outro encaminhamento ao caso, que será enviado à Procuradoria Geral do Trabalho, em Brasília, que fará a investigação das denúncias de abusos feitas pelos trabalhadores - disse a promotora em tom de ameaça aos representantes da Gol, durante a audiência.

Os funcionários da Gol, que estão em estado de greve desde o dia 13 de agosto, reclamam das escalas estafantes, que incluem seis pousos e madrugadas seguidas de trabalho com a mesma tripulação, além de jornadas duplas em terra. Segundo eles, essas condições de trabalho impostas pela Gol comprometem a segurança dos voos. Já a empresa alega que cumpre a legislação de aviação civil. No caso de não haver um acordo entre as partes, a promotora disse que poderá pedir prova de pericial para constatar, ou não, quadro de fadiga da tripulação.

- Se uma perícia indicar que a tripulação está trabalhando sob condições de fadiga extrema, ficará comprovado que existe um risco muito grande para os passageiros desses voos - disse a promotora.

A novidade da audiência ficou por conta do reajuste de 20% no valor da hora de voo dos pilotos e comissários concedido pela Gol. O aumento era uma das reivindicações da comissão de negociação dos aeronautas e será pago a partir de 1º de setembro.

- Essa foi a única coisa concreta que tivemos da empresa, apesar da boa vontade da procuradora Laura. As outras questões continuam indefinidas - disse Leonardo Souza, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronatuas, que marcou assembleia da categoria para o próximo dia 24 de setembro para avaliar uma possível proposta da empresa em relação às escalas dos tripulantes das aeronaves.

Um dia antes, o Sindicato Nacional dos Aeroviários marcou a sua assembleia para votar o indicativo de greve, caso a Gol não apresente uma solução para as questões de assédio e jornadas duplas de trabalho.

- Eles estão enrolando, não trouxeram nada para a audiência. Os problemas de assédio e nas escalas permanecem, depois de duas audiências. É estranho porque a empresa parece estar confiante de que não vai acontecer nada - disse Selma Balbino, presidente do sindicato dos aeroviários, lembrando que a categoria permanece em estado de greve.

Fonte: Globo Online

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