14 setembro, 2010

Mais caro, avião de pequeno porte sai de cena nos EUA

Os jatos regionais pequenos, com seus corredores apertados e pouco espaço acima da cabeça dos passageiros, voaram tranquilos por mais de dez anos. Os outrora apreciados jatos de 50 assentos vêm sendo recolhidos das frotas nos Estados Unidos, uma vez que o alto preço do combustível e da manutenção os torna demasiado caros.

A Comair, unidade da Delta Air Lines, pioneira no uso de jatos pequenos nos anos 90, anunciou em 1º de setembro que vai tirar de operação 75% de seus aviões de 50 assentos da Bombardier. Dessa forma, vai ficar com apenas 44 unidades até 2012; em 2008, tinha 144. Em junho, a American Airlines, da AMR, divulgou que poderia vender sua unidade American Eagle e seus 214 aviões, a maioria jatos pequenos fabricados pela Embraer.

Até 2015, as empresas aéreas americanas terão apenas em torno de 200 jatos para 50 passageiros ou menos, em comparação aos 1,2 mil atuais, prevê Michael Boyd, presidente do Boyd Group International. Mais de 80 aviões já foram desativados em 2010, afirma. "São ninhadas de gatinhos de alumínio. Ninguém os quer."

Os jatos regionais têm o dobro da velocidade dos turboélices e seu custo era acessível quando o barril de petróleo estava na faixa de US$ 20. A desvantagem: os custos ficam espalhados em 30% dos assentos de, por exemplo, um Boeing 737. Com o preço médio do petróleo em US$ 77,93 no acumulado do ano até 2 de setembro, 39% a mais que em 2009, as empresas aéreas agora preferem jatos da Embraer e Bombardier com capacidade para no mínimo 70 passageiros.

Operar jatos pequenos "faz sentido quando se está focado em preservar centros de conexão, em participação e em outros conceitos obsoletos", diz o analista Richard Aboulafia, do Teal Group. "Mas quando se está focado em rentabilidade, os aviões de 50 assentos são terríveis".

Douglas Runte, da Piper Jaffray, conta que um recente leilão de jatos de 50 lugares, o preço unitário foi inferior a US$ 3 milhões, por aviões avaliados pelo triplo desse valor.

Fonte: Valor Econômico - Mary Jane Credeur e Mary Schlangenstein | Bloomberg BusinessWeek (Tradução de Sabino Ahumada)

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